Saúde Social e Ambiental

 

 

Ao nos depararmos com a palavra "saúde", logo nos vem à mente aquele estado de equilíbrio físico e mental que se contrapõe à condição enfermiça, patológica,
desvitalizada. A saúde seria, assim, a antítese da doença; representaria a condição harmônica e integrada, de um ser. Mas aí, desde logo, cabe a pergunta: de que ser estamos falando?
Somente cada ser individualizado é passível de gozar da saúde ou padecer da doença?
Ou o corpo social, enquanto grande ser, também teria estes atributos?
Qualquer um de nós, caso se dê ao trabalho de olhar à sua volta, há de concluir pela segunda hipótese. Desde o nosso primeiro choro até o nosso último suspiro,
intercambiamos informações, atividades, emoções, sentimentos, silêncios, risos, choros, pesares e desfrutes com o mundo à nossa volta. E também fazemos chegar ao mundo as nossas omissões, que repercutem, decisivamente, na teia social, como instrumento de manutenção de um status quo injusto e, por extensão, violento. Somos, a um só tempo, mestres e alunos no devir universal, e isto nos torna, de modo inafastável, responsáveis pelo nosso próximo, pela comunidade que nos alberga, pela grande família humana e também pela Natureza, com a qual temos laços indissolúveis. Portanto, parece inevitável inferir, deste quadro, que não seremos verdadeiramente sãos enquanto, ao nosso lado, se fizerem presentes e atuantes a dor, a violência e o sofrimento, derivados da injustiça. Daí o atualíssimo exemplo de Gandhi: a ação corajosa no amor e pelo amor, preocupada não como a auto-salvação, mas com a salvação de todos. É interessante observar que a raiz etimológica do vocábulo "saúde" é a mesma da
palavra "salvação", a saber: salutem, salvus. Desta forma, ser são é salvar-se; mas não há como se salvar, realmente, sem empreender esforços para a salvação do corpo social que nos abraça. Isto porque, estando, este macro-corpo, enfermo, tal abraço será de morte, não de vida. Esta salvação, em grande escala, passa pela problemática da justiça, visto que a harmonia social é a expressão do justo. E perpassa, também, o problema da violência, já que, para Gandhi, esta é "qualquer coisa que possa impedir a auto-realização individual, não apenas atrasando o progresso de uma pessoa, mas também a mantendo estagnada. Sob essa perspectiva a violência é violenta porque leva ao retrocesso". Atraso, estagnação, retrocesso, obstaculização do processo individual como expressões da violência.

 

https://www.comitepaz.org.br/Gandhi_e_Sa%C3%BAde.htm